Durante algum tempo, achei que tinha ansiedade.
Tinha momentos em que a minha cabeça não parava. Pensava em tudo ao mesmo tempo. Cenários, possibilidades, coisas que podiam correr mal. Uma sensação constante de pressão, como se houvesse sempre algo por resolver.
Na altura, a explicação mais fácil era: “isto é ansiedade”.
Mas com o tempo comecei a reparar numa coisa.
Esses momentos apareciam quase sempre quando havia algo no meu futuro que não estava claro.
Uma decisão por tomar.
Um problema sem solução definida.
Um objetivo sem plano.
E foi aí que comecei a questionar:
e se isto não for ansiedade… pelo menos não da forma como normalmente se fala?
A forma como hoje vejo a ansiedade é simples:
ansiedade é, muitas vezes, uma obsessão com o incerto.
É estares preso num futuro que ainda não existe, a tentar prever tudo o que pode correr mal, sem teres qualquer estrutura para lidar com isso.
É a mente a tentar resolver um problema… que ainda nem sequer está bem definido.
O problema não é pensar no futuro.
O problema é pensar no futuro sem clareza.
Sem saber:
- o que queres realmente
- quais são os próximos passos
- o que está (ou não) sob o teu controlo
Quando isso acontece, o cérebro entra em loop.
“E se isto acontecer?”
“E se eu falhar?”
“E se não resultar?”
Mas nunca há resposta, porque não há estrutura.
Só há incerteza.
O que comecei a fazer foi muito mais simples do que parece.
Em vez de tentar “acabar com a ansiedade”, comecei a tentar perceber o que ela me estava a mostrar.
E quase sempre era isto:
há aqui algo que não está claro.
Então o processo passou a ser:
- Parar
- Definir qual é o objetivo
- Perceber quais são os passos para lá chegar
- Criar um plano (mesmo que imperfeito)
De repente, aquilo que antes era um bloco difuso de preocupação, passa a ser uma sequência de ações.
E isso muda tudo.
Porque quando existe um plano:
- o desconhecido diminui
- o cérebro deixa de tentar controlar tudo ao mesmo tempo
- a atenção volta ao presente
Já não estás perdido num futuro abstrato.
Estás focado no próximo passo.
Isto não significa que a ansiedade desapareça completamente.
Mas deixa de ser paralisante.
Passa a ser um sinal.
Um indicador de que há algo que ainda não organizaste.
Claro que isto não se aplica a todos os casos.
Existem formas clínicas de ansiedade, como: perturbação de ansiedade generalizada, ataques de pânico, ansiedade social e fobias específicas
Estas condições podem estar associadas a: padrões neurológicos e fisiológicos, hiperatividade do sistema nervoso, predisposição genética ou experiências passadas
E nesses casos, não basta “fazer um plano”.
Mas na minha experiência, e na maioria das situações do dia-a-dia, a ansiedade não vem de algo profundo ou inexplicável.
Vem de falta de clareza.
Vem de estar constantemente a pensar num futuro que não tem forma.
Hoje, quando sinto esse tipo de ansiedade, não tento ignorar.
Também não tento “relaxar”.
Faço uma pergunta simples:
o que é que aqui não está definido?
E começo por aí.
Na maior parte das vezes, isso é suficiente para transformar ansiedade… em direção.