Ontem tive uma conversa interessante com uns amigos.
Falávamos sobre como, hoje em dia, parece que estamos a perder aquilo que nos torna realmente pessoas: empatia, compaixão e compreensão pelos outros.
A verdade é simples. Nós nunca sabemos a história toda.
Nunca sabemos o que a outra pessoa está a passar naquele momento.
Imagina que estás no trânsito e alguém faz uma manobra completamente irresponsável.
A reação imediata é reclamar, insultar, pensar “que imbecil”.
Mas e se essa pessoa acabou de receber uma chamada a dizer que o pai teve um AVC e está no hospital?
E se estiver em pânico?
No ginásio acontece o mesmo.
Vemos alguém a fazer um exercício estranho, com má forma, ou a treinar leve, e julgamos.
Mas e se aquela pessoa teve um acidente?
E se tem um problema de saúde?
E se aquilo já é o máximo que consegue fazer e mesmo assim decidiu aparecer?
O ponto é este.
Nós julgamos com base em segundos aquilo que levou anos a construir.
Mas há um lado disto que raramente falamos.
Quando somos nós a passar por uma fase má.
Quando estamos cansados, frustrados, com problemas, sem cabeça.
Quando reagimos pior do que devíamos.
Quando temos menos paciência.
Quando simplesmente não estamos bem.
E depois sentimos:
“As pessoas estão a julgar-me e não fazem ideia do que estou a passar.”
E isso é verdade.
É injusto.
Mas ao mesmo tempo…
As outras pessoas não têm como saber.
Elas só veem:
- a tua reação
- a tua atitude
- a tua expressão
Não veem o resto.
E aqui entra a parte mais interessante.
Nós queremos ser compreendidos sem contexto.
Mas julgamos os outros exatamente da mesma forma.
Aquilo que sentimos quando somos julgados injustamente é exatamente o que fazemos aos outros todos os dias.
Toda a gente já esteve dos dois lados.
O que julga.
E o que é julgado.
Se tivéssemos de colocar isto numa escala de 0 a 100:
- 0 é tratar alguém mal, com desrespeito
- 50 é ser completamente neutro
- 100 é ser extremamente atencioso
Acho que o objetivo não é sermos sempre perfeitos.
Mas devia ser manter-nos sempre ali nos 60–70.
E nunca descer dos 50.
Porque a partir daí já não diz nada sobre a outra pessoa.
Diz tudo sobre nós.
Outra coisa importante.
Mesmo quando alguém não age bem connosco isso não é desculpa para descermos ao nível.
Devemos continuar a agir com respeito, calma e, dentro do possível, positividade.
E isto já nem é sobre a outra pessoa.
É sobre quem escolhemos ser.
A outra pessoa pode não mudar.
Pode nem reparar.
Mas se existir nem que seja uma pequena chance de a nossa atitude fazer essa pessoa refletir já vale a pena.
No fundo, é simples.
Se queremos que os outros nos deem o benefício da dúvida temos de fazer o mesmo por eles.
A realidade é que hoje em dia estamos demasiado focados em nós próprios.
Demasiado egoístas. Demasiado centrados no nosso próprio mundo.
E esquecemo-nos de uma coisa básica.
Toda a gente está a lutar uma batalha que tu não consegues ver.
No final do dia, há uma escolha.
Podemos reagir automaticamente.
Ou podemos parar um segundo e escolher melhor.
E se temos a opção de agir melhor,
porque não escolher isso?